
Kelly Venturini
Depois da votação no Senado o alerta feito pelo vice-líder do PSDB na Câmara, Reinaldo Azambuja (MS) ganhou eco: o investimento no trem bala vem no momento errado e pode gerar grandes prejuízos aos cofres públicos caso não dê certo.
Reforçando a teoria que Azambuja defendeu quando votou contra o projeto que autorizou financiamento de até R$ 20 bilhões do BNDES para a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV) os senadores Flexa e Aloysio Nunes, também fizeram as contas sobre quantas rodovias, ferrovias e portos poderiam ser recuperados ou construídos com o dinheiro. O custo do trem-bala em relação ao trem convencional é 33 vezes maior, lembrou.
Nesta quinta feira, Azambuja viu o debate tomar corpo e suas preocupações ganharem eco no Senado. “Não se pode aprovar um projeto dessa natureza, que envolve um valor tão alto, quando a população enfrenta problemas graves, por exemplo, com o transporte coletivo, em todo País”. Lembrou.
Até a sugestão de que seja substituído o nome de ‘trem bala’ para ‘trem bomba’ o Senador Flexa Ribeiro chegou a fazer, ao afirmar que a conta irá explodir no colo dos brasileiros e o projeto não pode prosseguir sem o devido debate.
Azambuja aproveitou a discussão para lembrar que, diferente do trem bala, o projeto que prevê a construção de duas importantes ferrovias que cortarão o seu Estado, o Mato Grosso do Sul, está há muito tempo sendo discutidos e estudados e ainda não tem data certa para sair do papel. “Ferrovia em Mato Grosso do Sul é sinônimo de redenção para nossa economia. Isso não conta?”. Questionou, lembrando o elevado custo que se tem com o escoamento da safra por conta das péssimas condições das estradas, alto preço do frete, e como as ferrovias ampliariam a competitividade nas áreas da indústria, agronegócio e comercio.
A compatibilidade da logística com as necessidades do projeto colocam em duvida sua funcionalidade e tornam a discussão ainda mais ampla quando se questiona qual é o plano do governo federal caso o projeto não de certo. “Trinta e cinco bilhões em saneamento, por exemplo, ajudaria a mudar o cenário de muitos municípios”. Argumentou o parlamentar.
Até que as obras tenham inicio, Azambuja espera que o tema seja repensado pelo Governo Federal e que este se sensibilize com questões mais urgentes.
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