sexta-feira, 20 de maio de 2011

Padre apoia batismo de adotados por gays e alerta para casamento de fachada

Em entrevista ao jornal “O Globo”, o padre Luís Corrêa Lima, professor do Departamento de Teologia da PUC-RJ, defendeu a criação do portal Amai-vos, que presta consultoria online aos gays sobre questões como direitos humanos, religião, espiritualidade e violência.

Dirigente do Grupo de Pesquisa Diversidade Sexual, Cidadania e Religião da PUC, que reúne professores e universitários de Teologia, Pedagogia e Psicologia, o padre disse que os direitos dos homossexuais precisam ser reconhecidos, e que o Brasil não está longe do batismo de crianças adotadas por casais gays.

Lima nega interferência da Igreja Católica em seu trabalho e vê elementos de convergência entre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo e a doutrina da religião. “Um documento do Vaticano, de 2003, trata do reconhecimento civil da união entre pessoas do mesmo sexo. Ele se opõe à equiparação desta forma de união àquela entre homem e mulher, bem como a mudanças no direito familiar neste sentido. No entanto, o Vaticano afirma que se podem reconhecer direitos decorrentes da convivência homossexual”, justifica.

“Este passo (a união estável) é muito importante. Se não houver nenhum reconhecimento social ou proteção legal às uniões homoafetivas, a homofobia presente na sociedade vai pressionar os gays a contraírem uniões héteros, para fugirem de um preconceito que é muito forte”, alerta o religioso. “Isto já acontece há séculos, traz muito sofrimento e precisa parar. O sacramento do matrimônio nestas circunstâncias é inválido. É preciso que os fiéis saibam disto. O casamento tradicional não é, de modo algum, solução para a pessoa homossexual.”

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